ABIH faz parceria para discutir ações para Avenida Tancredo Neves
maio 20, 2014Ambulantes irregulares vão ser retirados pela Prefeitura da Av. Tancredo Neves
maio 22, 2014
Presença de ambulantes em áreas de circulação de pedestres deve ser revista pela prefeitura, afirma AETN (Foto: Evandro Veiga)
Segundo os empresários, a intenção não é retirar os ambulantes. Eles reclamam da falta de ordenamento nas passarelas e da insegurança.
Um encontro entre integrantes da Associação Empresarial Tancredo Neves (AETN) e a secretária municipal de Ordem Pública, Rosemma Maluf, para cobrar providências da prefeitura sobre o ordenamento da Avenida Tancredo Neves, terminou com uma promessa: “Assumo o compromisso de, em 20 dias, entrar aqui no território de forma ordenada”.
A afirmação da titular da Secretaria de Ordem Pública (Semop) ocorreu durante almoço com cerca de 20 empresários da região, coração financeiro da capital e que tem, ainda, o segundo IPTU mais caro de Salvador.
O empresariado evita fazer a comparação e não gosta da ideia de chamar a Tancredo Neves de Avenida Paulista soteropolitana. Mas, na prática, é de lá que vem a inspiração para o projeto de “requalificação do mercado informal e ordenamento do bairro”.
O presidente superintendente da AETN, Luiz Blanc, explica: “A gente usa Avenida Paulista como um modelo, mas é claro que a gente pretende até mais. Quando a gente coloca esse exemplo, quer que aqui seja, depois que cumprir todas essas etapas, um centro de entretenimento, de lazer”.
O diretor financeiro da AETN, Carlos Macedo, vai mais longe. “Estamos procurando organizar a convivência desse parque metropolitano com relação a transporte, a iluminação, a limpeza, aos ambulantes, a segurança, e organizar a sociedade para que tenhamos um bairro mais simpático”, qualifica.
O contraste com o ordenamento pretendido pelos empresários e apoiado pela Semop é visível no entorno dos prédios que abrigam escritórios, grandes empresas, bancos e shoppings: em quase todas as transversais há comércio informal, como o de comida em porta-malas de carros, que se espalha por lá todos os dias, a partir das 11h.
CONTRASTE
Mesma rua onde fica o restaurante escolhido para a reunião da quarta-feira (21), a transversal Coronel Almerindo Rehem se transforma diariamente em um verdadeiro centro gastronômico a céu aberto. Nas passarelas, também há ambulantes, que os empresários alegam dificultar o tráfego de pedestres.
Empresários também dizem que é nas passarelas que acontecem assaltos a transeuntes. A reportagem do CORREIO procurou a 35ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Iguatemi) para falar sobre o policimento no local, mas o comando não foi encontrado.
“Estamos preocupados com essa passarela que foi instalada. Chega a ser contraditório, porque a passarela gera fluxo, gera camelôs, e é preciso também ter respeito às pessoas que circulam aqui”, argumenta o diretor de comunicação da AETN, Fernando Passos.
Segundo os empresários, a intenção não é retirar os ambulantes. “Queremos ordenar, como foi feito na Avenida Sete. A prefeitura foi muito capaz nisso. Estamos querendo trazer esse assunto para cá”, explica o diretor financeiro da AETN, Carlos Macedo.
“Estamos procurando organizar, para que tenhamos um bairro mais simpático”
Carlos Macedo, diretor financeiro da AETN
A secretaria Rosemma Maluf também garante que não é objetivo da prefeitura prejudicar o comércio informal, mas afirma que não se pode confundir sensibilidade com permissividade. “Ocupar o espaço público não é proibido. O que se deve é respeitar normas”, aponta.
Mas ela avisa que, quando a Operação PAI (Plano de Ação Integrado) chegar à Tancredo Neves, não vai ser possível que vendedores de produtos pirateados e de alimentos permaneçam. “Carros vendendo marmita, não existe nem legislação (municipal) para isso. Nós não temos como legalizar algo não normatizado”, alerta.
Daqui a 20 dias, quando começar a operação de ordenamento na Tancredo Neves, haverá, entre diversas ações, fiscalização destas atividades de venda de alimentos e do comércio informal, em geral, além de combate à poluição sonora – intensificada às sextas-feiras com um happy hour improvisado que, segundo os empresários, acaba em sexo e drogas.
Bares, restaurantes e lava-jatos também serão verificados. Segundo a secretária, a ação será um “ordenamento processual, com ações de curto, médio e longo prazo”, incluindo a requalificação do camelódromo do Iguatemi.
Avenida ‘paga’ R$ 2 bilhões ao ano à prefeitura, calcula AETN
As empresas instaladas na Avenida Tancredo Neves rendem, por ano, apenas para os cofres da prefeitura, cerca de R$ 2 bilhões, em forma de impostos e capital imobilizado, de acordo com estimativa da Associação Empresarial Tancredo Neves (AETN). São mais de seis mil salas comerciais, outras 800 lojas e 60 prédios.
Diariamente, cerca de 80 mil pessoas circulam pelo lugar, que se juntam a outras 30 mil passantes. Há ainda cerca de 9,1 mil unidades imobiliárias, mil apartamentos residenciais e dois mil leitos em hotéis e apart hotéis.
“Os empreendimentos aqui são ricos. Aqui é o segundo IPTU mais caro. Então, a prefeitura deveria nos dar um retorno”, defende o diretor financeiro, Carlos Macedo. O presidente da entidade, Luiz Blanc, completa: “Não é mais tratar ninguém de coitadinho. Eu sou a favor de ordenar, qualificar e dar uma oportunidade ao cidadão”.
Fonte: http://www.dirigida.com.br